Santa Catarina

Ataque a creche: ‘Dias se tornaram intermináveis’, diz pai de uma das vítimas

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As famílias das vítimas do ataque a creche de Saudades, no Oeste catarinense, ainda tentam buscar forças para lidar com o luto. Evandro Sehn, pai de uma das três crianças que morreram em 4 de maio, afirma que só agora, um mês após a perda da única filha, a família está voltando ao trabalho e à rotina.

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“Nós vivíamos por ela. Antes, os dias eram corridos. Agora, eles se tornaram intermináveis. Sentimos sua falta em tudo”, desabafa.

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Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses, foi uma das quatro crianças menores de 2 anos feridas pelo jovem que invadiu a unidade infantil Aquarela usando um facão e uma faca. Após serem feridos pelos golpes, três crianças e duas profissionais do local morreram.

O pai de Sarah relata que ele, a mulher e demais familiares que conviviam diariamente com a menina, como os avós, estão contando com apoio psicológico, além do amparo de amigos.

“Esta semana começamos um novo normal. Isso de uma maneira está nos fazendo bem por manter nossa mente ocupada. Porém, sentimos a falta, um buraco escuro que insiste em não ser preenchido”, afirma.

A família de Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, professora que morreu no ataque, também está contando com o apoio psicológico da prefeitura. Segundo o irmão, Diogo Aniecevski, a falta da irmã é sentida a cada instante e as fotos ajudam a amenizar um pouco as saudades. Ela era referência entre a família e amigos por sempre estar sorrindo.

“Eu e meus pais sentimos muito a falta da Keli, do seu jeito único de ser. Lembramos todo dia de coisas do dia a dia que passavam despercebidos, como os horários em que ela estava com cada um, as coisas que ela fazia, as conversas. Temos lembrado dos momentos felizes que passamos, revendo fotos, lembrando de suas conquistas, seus sonhos”, afirma Diogo.

‘Não estamos com ódio’

O acusado segue preso e é réu por cinco homicídios consumados e 14 tentados com três qualificadoras: motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. O pai da pequena Sarah diz que ele e a família tentam não remoer as possíveis motivações para o ataque.

“Não estamos com ódio, estamos usando os momentos que vivemos com nossa filha para amenizar, pois quanto mais buscamos entender o que aconteceu, mais difícil é suportar a dor”.

Evandro deseja que outros potenciais suspeitos de possíveis ataques possam ser identificados para evitar tragédias como a de Saudades. “Esperamos que a justiça terrena consiga manter ele longe do convívio social e que consigam identificar, alertar a sociedade, que as famílias consigam identificar, mudar hábitos para que isso jamais aconteça e que nenhum pai e nenhuma mãe passe pelo que estamos passando”, afirma.

“A gente espera que esse rapaz cumpra perante a lei pelo sofrimento que causou às famílias das vítimas, pelo trauma às crianças e aos professores da escola. Esperamos algo severo, para que não aconteça mais situações como essa em nenhum lugar”, afirma Diego.

Fonte: G1/SC


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