Saúde

Com o sistema de saúde em colapso, Alto Vale chega no momento mais difícil da pandemia

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Hospitais lotados, sistema de Saúde entrando em colapso, médicos, enfermeiros, técnicos, e pessoas que atuam na linha de frente enfrentando longas jornadas de trabalho e o risco de contaminação em nome da saúde de toda a população. Com apenas um leito de UTI covid disponível nesta segunda-feira (7) o Alto Vale chegou a um dos momentos mais críticos da pandemia e autoridades alertam que com a falta de vagas e contágio acelerado, pessoas podem morrer sem atendimento adequado.

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Esses são alguns dos motivos que levaram profissionais de saúde de Ituporanga a fazer umprotesto neste fim de semana em frente à prefeitura do município. Eles mobilizaram pessoas de todo o Alto Vale.Vestindo preto, segurando guarda-chuvas e cartazes, pediram em silêncio por atitudes mais restritivas das autoridades, a fim de diminuir a propagação do vírus que já fez milhares de mortes em todo o mundo.

Diante da Avaliação de Risco Potencial que atualmente classifica a maior parte das regiões como Gravíssimo para transmissão do vírus, a linha de frente da Saúde de Ituporanga convidou trabalhadores da Saúde de toda a região para apoiar a reivindicação. A enfermeira Georgia Staudinger, que é responsável pela Vigilância Epidemiológica, afirma que a intenção era chamar a atenção das pessoas para que entendam a situação atual e que sejam mais cuidadosas. “É um manifesto pacífico, sem aglomeração, a gente respeita o distanciamento, todo mundo estava de máscara, de forma silenciosa, não foi balbúrdia, ninguém estava batendo panela”, comenta.

Ela explica ainda que atualmente o sistema de Saúde está entrando em colapso, já que muitas pessoas infectadas têm tido complicações e precisam de internação. “A gente não está reivindicando melhorias de trabalho, a gente trabalha em condições favoráveis, com EPI’s suficientes. O que a gente quer é uma mobilização do Judiciário, da Câmara de Vereadores, prefeituras de todo o Alto Vale para que tomem atitudes mais restritivas quanto a circulação de pessoas, tentar mexer com o bom senso, com a empatia das pessoas. A gente quer que as pessoas vejam que nós estamos trabalhando, que queremos trabalhar, cuidar da população, mas a rede de saúde está entrando em colapso, os hospitais estão todos cheios, não vai ser só de Ituporanga, estamos mobilizando toda a região da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi), para que entrem nessa mobilização de forma pacífica para chamar atenção da população. Os profissionais de saúde estão exaustos, não estamos nos negando a trabalhar, mas não queremos ver pessoas morrendo na porta dos hospitais ou unidades de Saúde como já aconteceu em outras cidades”, completa.

O que é o colapso no sistema de Saúde?

Desde o início da pandemia já se falava em colapso no sistema de Saúde Pública, mas o fato é que muitas pessoas desconhecem um dos maiores medos das autoridades de Saúde, o momento em que há mais pacientes com necessidade de cuidados médicos e de UTI do que leitos disponíveis para acolher a demanda. O presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde de Santa Catarina (Fehoesc), Giovani Nascimento fala sobre a situação atual da pandemia e ressalta que não há, até o momento, soluções a curto prazo. “A pandemia não tem remédio, e precisamos aguardar a chegada da vacina, que vai demorar um pouco mais”, afirma.

Ele explica que o alerta sobre os cuidados é no intuito de evitar contaminação acelerada, de modo a tentar impedir que muitos fiquem doentes ao mesmo tempo. “Tudo isso é para evitar uma contaminação acelerada entre as pessoas com vista a diminuir o fluxo de pacientes nos prontos-socorros, unidades de Saúde, enfermarias e UTI’s da rede hospitalar catarinense. Como nos últimos dias houve um relaxamento, tanto por parte da comunidade quanto por parte do governo, na cobrança dessas regras que já estão estabelecidas há algum tempo, a pandemia avançou e se fala na segunda onda. Embora Santa Catarina seja o estado com menor número de letalidade no país, em função das regras impostas pelo Governo do Estado e pelo cumprimento das medidas pela população, também tem um grande avanço nos casos de coronavírus, só ontem (7) foram registrados 60 novos casos em Rio do Sul e isso vem acontecendo diariamente, entre 60, 100, 160 casos todos os dias porque as regras não estão sendo seguidas”, disse.

Segundo Giovani, existe um sistema chamado Sisreg, do Ministério de Saúde que faz a regulação dos leitos públicos e permite o remanejo de pacientes. “O colapso em poucas palavras seria o alto número de pacientes previstos para atendimento, além da capacidade que a rede possui, quando existe maior procura de pacientes enfermos do que leitos para acomodá-los. Estamos passando por um período crítico, um dos mais críticos, teremos uma semana bem crítica”, finaliza.

Segundo atualização feita pela Federação Catarinense de Associações de Municípios (Fecam), o Alto Vale do Itajaí tinha na até o início da noite desta segunda-feira, apenas três leitos adultos SUS disponíveis, ou seja 95,08%. Já os leitos exclusivos para Covid-19 estavam com 95,65% da taxa de ocupação, o que representa apenas um leito disponível.


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