Alto Vale

Epagri confirma cigarrinha-do-milho na região Alto Vale

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Em Santa Catarina, a incidência da cigarrinha-do-milho, inseto-vetor das doenças denominadas de enfezamentos na cultura do milho, tem ocorrido de forma generalizada em todas as regiões e com danos econômicos variáveis na safra 2020/2021. As informações são da Epagri.

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Pode-se verificar a campo diferenças de severidade de acordo com o cultivar/híbrido semeado, manejo da lavoura e época de implantação. Nas semeaduras mais tardias e de segunda safra a pressão da doença está  se intensificando. 

A estimativa,  até o momento, quanto à área atingida no Alto Vale do Itajaí é de 5%, em torno de 2,5 mil hectares. As maiores incidências da cigarrinha-do-milho têm ocorrido nos municípios de Ituporanga e vizinhanças.

As macrorregiões mais afetadas são o Meio-Oeste, Oeste, Extremo-Oeste, Planalto Norte e Planalto Serrano. O dano varia com a época de plantio e a variedade de milho plantada, entre outros fatores.

Essa constatação tem sido registrada por extensionistas da Epagri e técnicos de cooperativas, de empresas de assistência técnica e de agropecuárias. A equipe de extensão do Programa Grãos da Epagri compilou esses dados e apresenta um relato da situação atual nas principais regiões do Estado.

Recomendações de manejo da cigarrinha-do-milho nas lavouras catarinenses

Em Santa Catarina, a alta incidência da cigarrinha-do-milho, transmissora de agentes causais de doenças denominadas de enfezamentos na cultura do milho, tem causado impactos na produção do grão na safra 2020/2021.  A presença desse inseto está fazendo com que os técnicos da Epagri reforcem as recomendações de manejo das lavouras visando reduzir a incidência de doenças transmitidas por ele na próxima safra, como escolha de híbridos tolerantes aos enfezamentos, uso de sementes tratadas com inseticidas, redução da janela de semeadura, entre outras.

Segundo a pesquisadora do Centro do Centro de Pesquisa para a Agricultura Familiar da Epagri em Chapecó (Cepaf), Maria Cristina Canale, milharais atacados pelo complexo de enfezamentos apresentam como sintomas avermelhamento e amarelecimento das folhas, encurtamento de entrenós com redução do porte das plantas, multiespigamentoe a má formação de espigas e grãos, o que afeta diretamente o rendimento das lavouras. “Além disso, materiais que são altamente suscetíveis, em áreas de alta pressão de inóculo das bactérias dos enfezamentos, podem se tornar enfraquecidos e predispostos a incidência de outros patógenos oportunistas que podem provocar podridões  do colmo e da espiga”, alerta a pesquisadora.

A cigarrinha tem preferência pelos estádios iniciais da cultura do milho e por conferir uma capacidade de migração muito alta, ela abandona cultivos em fase final para colonizar novos plantios. “Se a população de cigarrinhas migrantes apresenta indivíduos infectivos, ou seja, portando os patógenos dos enfezamentos, ela pode se dispersar causando um surto na lavoura ou na região geográfica”, diz a pesquisadora.

A seguir, conheça as características da planta com a presença de cada uma das doenças do complexo de enfezamentos, que são o enfezamento-vermelho, o enfezamento-pálido e a virose-da-risca.

As plantas com enfezamento-vermelho exibem sintomas de avermelhamento nas folhas.  Pode haver redução de crescimento e encurtamento de entrenós, proliferação de espigas, malformação de espigas, com falhas na fecundação e no enchimento dos grãos.

Enfezamento-pálido

O sintoma típico do enfezamento-pálido são as estrias cloróticas nas folhas (similar a um risco de giz). A planta também pode exibir amarelecimento e proliferação e malformação de espigas

Quando infectadas pelo enfezamento-vermelho ou pelo enfezamento-pálido, as plantas de milho podem mostrar sintomas 30 dias após a infecção, mas, normalmente, os sintomas em campo são mais evidentes a partir da fase de pendoamento.

Virose-da-risca

A virose-da-risca, por sua vez, se manifesta em qualquer fase da cultura, e os sintomas são pequenas pontuações cloróticas quase que equidistantes umas das outras ao longo do limbo foliar, paralelas às nervuras da folha. Os sintomas aparecem entre sete e dez dias após a inoculação. Essa virose pode ocorrer simultaneamente aos enfezamentos vermelho e pálido.

Manejo recomendado

De acordo com Maria Cristina, o manejo da cigarrinha-do-milho e do complexo de enfezamentos deve ser realizado de forma integrada e regionalizada, envolvendo instituições de pesquisa, assistência técnica, cooperativas, entidades representativas do setor e produtores de milho. Confira as principais ações.

Eliminação das plantas tigueras

O primeiro deles é a eliminação de milhos voluntários – também conhecidos como tigueras – durante a entressafra. “Essas plantas funcionam como reservatório tanto para os patógenos quanto para a cigarrinha-do-milho. Serve como local para sobrevivência desse problema do campo”, afirma Maria Cristina.

Sincronização da semeadura

Outra recomendação é evitar semear o milho ao lado de lavouras com plantas em adiantado estágio de desenvolvimento, principalmente se elas estiverem com muitas plantas com sintomas de enfezamentos, uma vez que as cigarrinhas tendem a migrar do milho mais velho para o novo cultivo.

Os técnicos da Epagri também aconselham sincronizar a semeadura de milho na região, determinando uma janela de semeadura. “Essa medida visa diluir a população de cigarrinhas na região, por meio da redução do período em que o milho se encontra disponível para esses insetos, principalmente na fase mais crítica”, explica a pesquisadora.

Híbridos tolerantes

Maria Cristina chama atenção para a combinação e a escolha de híbridos com tolerância ao complexo de enfezamento. “É importante verificar a tolerância genética dos híbridos aos enfezamentos para a região, visto que um híbrido pode manifestar sintomas apenas em sua fase final e, ainda assim, resultar numa produção adequada, o que configura tolerância à doença”, diz ela.

Outra recomendação é utilizar sementes tratadas com inseticidas sistêmicos (neonicotinoides), utilizando produtos e doses recomendados para o controle da cigarrinha-do-milho.

Monitoramento do inseto-vetor

A presença do inseto na lavoura deve ser monitorada para uso consciente de inseticidas registrados para a cultura, conforme recomendações técnicas do fabricante, visando reduzir a população dos insetos e os consequentes danos ocasionados pelos enfezamentos. O uso de sementes tratadas também visam a manutenção da população inicial de cigarrinhas em baixos níveis.

Transporte

Produtores devem ficar atentos para evitar perdas na colheita e no transporte, diminuindo a possibilidade de plantas voluntárias a partir de sementes perdidas.


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