Santa Catarina

Estiagem em Santa Catarina já é a mais severa desde 2005

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A estiagem em Santa Catarina, que atinge o Estado desde junho de 2019, já é a mais severa desde 2005, segundo informação da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural e da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina).

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Os dados referente às perdas na agricultura e a situação das chuvas foram apresentados durante reunião realizada nesta quinta-feira (5), entre o governo estadual, o gabinete de crise e o setor produtivo de SC. Na reunião também foram discutidas medidas para lidar com a situação.

A estiagem atinge principalmente produtores e moradores do Oeste, Meio-Oeste, Extremo-Oeste e Planalto Sul. A governadora Daniela Reinehr está tentando conseguir recursos federais para auxiliar o setor produtivo catarinense, que vem enfrentando perdas.

Para tanto, ela solicitou ao setor produtivo um levantamento detalhado das perdas. O objetivo é embasar ainda mais as tratativas na busca dos recursos federais.

Dentre as medidas tomadas pela governadora Daniela Reinehr está também a criação de um gabinete de crise, com representantes de diferentes pastas do governo estadual.

“Estamos acelerando as outorgas para a perfuração de poços artesianos, construção de cisternas, transporte de água potável, enfim, buscando alternativas que vão futuramente amenizar o sofrimento com as secas. Estou acompanhando a situação junto à Epagri e nos próximos dias vou visitar as regiões atingidas e verificar a situação in loco”, afirmou a governadora, acrescentando que será feito um cronograma para manter o diálogo com as entidades.

Outubro foi o pior mês

O estudo foi realizado pela Epagri/Cepa (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola) e apresentado na reunião pelo analista Haroldo Tavares Elias. Foram observadas as perdas agrícolas e os baixos níveis de chuvas nas regiões.

O Meio-Oeste está sendo a região mais atingida pela estiagem, onde deixou de chover 896 mm acumulados no período para alcançar as médias históricas mensais. Outubro de 2020 foi o pior mês, quando choveu apenas 29,2 mm – abaixo da média da região, que é de 154,2 mm.

Na região Oeste as chuvas estão abaixo da média desde junho de 2019, acumulando um valor de 802 mm de falta de chuva no período. O pior mês também foi outubro de 2020, quando é normal que chova 169,5 mm, mas choveu somente 27 mm.

No Extremo Oeste, faltou chover em torno de 711 mm entre junho do ano passado e outubro deste ano. Nesse intervalo, setembro de 2020 registrou o maior déficit, de -144 mm. Choveu 30,4 mm contra uma média esperada de 174,3 mm.

As previsões também não são favoráveis. Até janeiro as chuvas devem ficar abaixo da média climatológica, com irregularidade no espaço e no tempo e com dias consecutivos sem chuva, devido à atuação do fenômeno La Niña. Em novembro, a chuva pode ser ainda mais escassa.

Impacto na agricultura

O Extremo Oeste é a região cujos cultivos agrícolas estão em situação mais delicada, segundo a avaliação. Em seguida aparecem Oeste e Meio-Oeste. Milho (silagem e grão), fumo e pastagens são as culturas mais atingidas até o momento.

  • Milho silagem: acumula perda média de -6,75% na produção estadual, resultando numa produção esperada de 8,8 milhões de toneladas. No Extremo Oeste a perda média é de -13,76%, enquanto no Oeste fica em -7,24% e no Planalto Norte chega a -10,03%. Em relação às condições das lavouras implantadas, 66,1% são consideradas boas, 21% médias e 12,8% ruins. Alguns municípios destas regiões já contabilizam perdas na produção superiores a 60%.
  • Milho grão: na primeira safra, até o momento, a perda média esperada para o estado é de – 4,12%. O maior impacto está no Extremo Oeste, onde a quebra de produção média é de -19,07%. No Oeste a perda está em -9,2%. Do total de lavouras do Estado, 56,5% estão em condição boa, 30,9% em situação média e para 12,6% a condição é considerada ruim. Neste cenário, a produção esperada é de 2,8 milhões de toneladas. As condições de lavoura ruins em boa parte das áreas plantadas e a previsão de pouca chuva nos próximos dias dão indicativos de que até o final da safra a quebra deverá ser maior.
  • Fumo: o fumo enfrenta até agora uma variação média de produção de – 1,92% no estado, com produção estimada em 209,7 mil toneladas. A perda não foi maior porque a estiagem está mais amena na principal região produtora. Fumicultores do Extremo Oeste já acumulam perdas de -14,16%, no Oeste as perdas são de -7,94% e no Meio-Oeste chegam a 6,05%. Boa parte das lavouras (75,6%) estão em boas condições. Para 19,6% a condição dos cultivos é média e 4,8% dos plantios estão em condição ruim.
  • Pastagens: Até o início de novembro, diversas regiões registravam impactos negativos da estiagem sobre a qualidade e quantidade de pastagens disponíveis para a produção animal, o que afeta o ganho de peso e a produção de leite, bem como na disponibilidade de água para os animais. As regiões mais atingidas são Extremo Oeste, Oeste e Meio-Oeste, que respondem por 80% da produção leiteira catarinense.
  • Arroz: No arroz, a quebra de produção média esperada até o momento para o Estado é de – 1,66%, com maior impacto no Sul, onde as perdas estão estimadas em -2,89%. Com base nisso, a Epagri/Cepa calcula uma produção total de 1,18 milhão toneladas para a safra 2020/21. No entanto, a maioria das lavouras (96,8%) está em boas condições e 3,2% em condição média, o que indica que as perdas estimadas não devem ser superiores às apresentadas. Pode haver até mesmo uma reversão deste quadro, visto que a região produtora de arroz não é a mais impactada pela estiagem.
  • Alho: o alho é a cultura de inverno onde se espera maior quebra de produção até agora, de -15,4%, o que reflete uma produção esperada de 17,8 mil toneladas. Em contrapartida, as lavouras, que estão na fase de bulbificação, seguem em boas condições em 90% dos casos. Os outros 10% apresentam médias condições de cultivo neste momento.
  • Cebola: a cebola, cultura em que Santa Catarina é líder nacional, deve encerrar a safra 2020/21 com uma produção de 475 mil toneladas, variação média estadual de -1,76% até agora. A Epagri/Cepa estima perda de -15,78% no Meio-Oeste, -8,33% no Planalto Norte e -8,17% no Vale do Itajaí, principal região produtora. Até o momento, 82,6% das lavouras estão em boas condições, enquanto 16,6% apresentam condições e médias e apenas 0,8% têm condição considerada ruim.
  • Aveia: no caso da aveia, produção esperada é de 44,8 mil toneladas, volume 11,22% menor na comparação com o ciclo agrícola anterior. A região mais atingida é o Planalto Norte, com quebra de produção estimada em -28,15%. No Meio-Oeste as perdas chegam a -18,95% e no Extremo Oeste a -14,45%. Com 71,4% das lavouras já colhidas, a condição dos plantios é considerada boa em 74% do total a ser colhido, média em 19,1% e ruim em 7%.
  • Trigo: o trigo deve ter aumento de produção de 5,6% devido ao crescimento da área cultivada. Apesar disso, são esperadas perdas de -11,39% no Meio-Oeste, -7,08% no Oeste, e pequena alta de 0,37% no Extremo Oeste. Com relação às condições de cultivos, em 63% da área ela é considerada boa, 24,8% média e ruim em 12,2% do total.

Medidas

O Governo citou programas e linhas de crédito que foram criados para incentivar os investimentos em sistemas de captação e uso de água, além de projetos de apoio à reconstrução de estruturas prejudicadas com eventos climáticos extremos.

“Com o programa de Fomento Agropecuário, somado aos novos programas que criamos este ano, investimos mais de R$ 24 milhões no apoio do setor produtivo, beneficiando cerca de 1.400 famílias”, destaca o secretário Gouvêa, secretário da Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Rural.


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