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Julgamento Boate Kiss: Ministério Público vai usar simulação inédita em júri

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Os dois promotores que atuam no caso da Boate Kiss, Lúcia Helena Callegari e David Medina da Silva, apresentaram, nesta quarta-feira (17), uma tecnologia que simula o interior da casa noturna pouco antes do incêndio que matou 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos, no dia 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria (RS).

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A reconstituição foi desenvolvida pela Universidade Federal de Santa Maria e será usada no júri que vai decidir o futuro dos quatro réus. O julgamento começa em 1° de dezembro, no Foro de Porto Alegre, e tem previsão de duração de até duas semanas.

Segundo os promotores, o uso dessa tecnologia é inédito em júri no país. Com a reconstituição em 3D, a acusação pretende mostrar todos os empecilhos que impediram a saída dos usuários da boate, durante o incêndio. “Era um labirinto porque não tinha placas de saída visíveis, tinha muitos desníveis, tinha muito guarda-corpo, tinha muitas barras que separavam a área vip da pista.

Os impedimentos eram múltiplos,” disse a antropóloga Virginia Susasa Vecchioli, responsável pela simulação. Segundo ela, as janelas eram trancadas e, na porta de saída, ainda havia um cercadinho com corrente para limitar o espaço do fumódromo.

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Inicialmente, o julgamento ocorreria em Santa Maria, mas a pedido das defesas, foi transferido para Porto Alegre, para que haja imparcialidade do júri que será formado por sete cidadãos. Eles ainda serão escolhidos por sorteio. Os réus respondem por múltiplas ocorrências de homicídio e tentativa de homicídio.

A boate pegou fogo depois que integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava naquela noite, acenderam um artefato que incendiou o teto feito de uma espuma imprópria, que gerou uma fumaça tóxica. “Tu acendes um equipamento pirotécnico num ambiente fechado, num local superlotado, num ambiente como aquele, sempre se teve e sempre se assumiu o risco de acontecer o que aconteceu”, disse Callegari.

A apresentação do Ministério Público foi acompanhada pelo presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Boate Kiss, que vai passar por um cateterismo pouco antes do julgamento. “A Kiss, ela não matou só aqueles duzentos e quarenta e dois jovens. Ela continua matando. Ela matou vários pais durante esses oito, nove anos, e deixou outros com saúde comprometida eternamente”, disse Flavio Silva.

Uma vaquinha virtual tenta arrecadar R$ 300 mil para pais de vítimas e sobreviventes se deslocarem e se hospedarem em Porto Alegre ao longo de todo o julgamento. São pessoas que moram em 75 cidades diferentes e não teriam condições de bancar as duas semanas de estada. O propósito é “representar nossos filhos, que não podem mais estar lá. E que isso sirva de lição, de exemplo”, diz Paulo Carvalho, pai de uma das vítimas.

Fonte: SCC10


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