Santa Catarina

Morre um dos principais líderes indígenas do povo Xokleng no Alto Vale

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O povo Xokleng perdeu uma das suas maiores lideranças. Morreu neste sábado (26) Nanbla Gakran, 59 anos, doutor em Linguística e maior autoridade mundial em pesquisa da língua Laklãnõ. A morte do primeiro indígena a ser formar doutor em SC deixa consternado os Xokleng que têm suas terras no Alto Vale do Itajaí. Todos reconhecem a importância do homem que como raros sabia entender a língua do seu povo.  

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Nos últimos dias, Nanbla se queixava de fortes dores na garganta e suas idas e vindas ao hospital eram frequentes. Ele contou aos indígenas próximos que temia pela possibilidade de câncer, mas que havia sido descartada. No entanto, deixou de alimentar e seu estado de saúde ficou muito debilitado. 

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O enterro está marcado para 16h deste domingo (27) na aldeia Figueira, Terra Indígena Laklãnõ, onde Nanbla morava. 

— Trata-se de uma perda irreparável. Era um professor de profunda cultura e repassava o conhecimento para as nossas crianças e jovens — diz Keli Regina Caxias Popó, diretora da Escola Indígena de Educação Básica Laklãnõ, onde Nanbla Gakran lecionava. 

A tese de doutorado foi defendida em 2015 no curso de Linguística do Programa de Pós-Graduação em Linguística do Instituto de Letras da Universidade de Brasília. 

Em 2018, o primo Fernando Marcondes foi assassinado, e coube ao próprio Nanbla Gakran acalmar os parentes. 

Aos jornalistas, ele explicava que os indígenas compreendem a morte como uma passagem natural para outra vida, que todos os rituais fúnebres têm esse sentido, mas quando perdem um ente adorado de forma violenta como ocorreu com Marcondes, a morte se traduz em horror, pela incompreensão dos fatos. 

E, quando isso ocorre, dizia, é preciso esse clamor diário para que a alma do morto encontre paz.

O povo Xokleng foi praticamente exterminado nos estados do Sul do Brasil. A ação dos bugreiros – caçadores de indígenas – resultou com que em torno de 400 indivíduos se refugiaram na região do Alto Vale, dando origem ao Território Indígena. 

A resistência prosseguiu com a chegada das companhias de colonização que contratavam os bugreiros e com as disputas com o Estado e União, especialmente pela construção de uma barragem que corta as áreas das aldeias.

Fonte: NSC Total / Diário Catarinense


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