Alto Vale

Sexto integrante da mesma família morto por Covid-19 no Alto Vale, cantou em missa para os irmãos

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O sexto integrante da mesma família a morrer de Covid-19 nesta semana em Ituporanga, José Joarez de Almeida, 48, cantou para os irmãos em uma missa no mês passado. À época, dois haviam falecido devido à doença. Dias depois, José perdeu o pai e outros dois irmãos antes de se tornar uma das vítimas. Os seis óbitos foram registrados em pouco mais de um mês e o caso chocou a cidade, que decretou luto oficial por três dias.

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A missa foi feita em meados de abril. A família tinha se despedido de Maria Rosimara de Almeida Hellmann, 34, e Antônio de Almeida, 50. José, que gostava de cantar nas celebrações, falou por alguns minutos dos irmãos. Contou que Rosi e Tonho, como eram conhecidos, deixaram uma lição importante:

— A de viver a vida e não se preocupar com o amanhã. Vamos viver e viver bem. Tonho saía rindo para trabalhar [nos hospitais, como radiologista] e a Rosi foi uma mãe querida pelos nossos filhos, seus sobrinhos — disse no microfone.

Depois, cantou uma canção que costumava ensaiar com Tonho toda semana em encontros feitos na casa de José, repleto de conversas leves e risadas.

— Com certeza ele vai cantar comigo essa canção — desejou em voz alta.

Caso raro

No dia da missa na igreja matriz, José já vivia com a preocupação da internação do pai, João Alci de Almeida, 70, que morreu pouco mais de uma semana depois de Tonho. Os outros dois irmãos, Zelirde Almeida, 45 e João Ercio Almeida, 43, partiram na sequência. Dos seis irmãos, apenas uma resistiu às complicações e deixou o hospital com vida.

Em entrevista à NSC TV, a mãe dos seis, Cecília de Almeida, dividiu a dor de tantas perdas consecutivas. A situação surpreende até a ciência, comenta o infectologista Amaury Mielle. Ele explica que apenas um estudo poderia detalhar o motivo de praticamente toda a família não ter conseguido combater o vírus.

— Existem alguns indicadores genéticos falando de pessoas que têm uma proteção contra a Covid-19, um marcador genético chamado MAV1 e MAV2. Agora, o contrário, não temos. Não há evidências do porquê em uma mesma família ter incidência de infecção e no caso dessa, infelizmente, evolução para óbito. É um caso sui generis, chama muita atenção — comenta Mielle.


POR: BIANCA BERTOLI – JORNAL DE SANTA CATARINA / NSC TOTAL


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