Coronavírus

Vacina, nova cepa, segunda onda? O que esperar da pandemia em 2021

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O ano de 2020 foi marcado pelas restrições impostas pela pandemia de Covid-19. Desde o início de março, álcool em gel, máscaras e distanciamento social são apontados por especialistas em saúde como medidas essenciais para tentar conter a disseminação do Sas-CoV-2.

Com a chegada das primeiras vacinas, surgem os questionamentos: “O que podemos esperar para 2021?”, “Quando voltaremos à vida normal?” e “Será que um dia voltaremos?”

Segundo a pesquisadora Luciana Cezar de Cerqueira Leite, do laboratório de Vacinas do Instituto Butantan, o ano de 2021 continuará a exigir de nós cuidados intensos e paciência.

Enquanto a maior parte da população não estiver imunizada, a tríade máscara, álcool em gel e distanciamento continuará essencial. “A vacina é uma perspectiva [de melhora], mas não a curto prazo”, explica a especialista.

De acordo com ela, 2021 será para manter e até intensificar os cuidados para evitar o vírus, mesmo após o início da vacinação.

“Nenhuma vacina ou medicamento existente tem 100% de eficácia. A pessoa pode até estar protegida e não se infectar, mas ainda não sabemos se ela poderá infectar outras pessoas”, alerta a médica.

Outro ponto importante é que ainda não se sabe por quanto tempo os imunizantes serão capazes de conferir proteção aos vacinados.

Clínico geral e chefe da emergência do Hospital Santa Lúcia Sul, Luciano Lourenço, afirma que é impossível prever quando a pandemia vai acabar e, se um dia, voltaremos a ter a vida de antes. O momento, entretanto, é de esperança.

“Já faz um ano desde o aparecimento dos primeiros infectados na China, então tivemos bastante tempo para amadurecer sobre o diagnóstico e o tratamento da Covid-19”, afirma. O esperado, portanto, é que as mortes causadas pela doença diminuam por causa dos avanços clínicos.

Nova cepa

No fim de 2020, o anúncio feito pela Inglaterra sobre uma nova cepa do vírus mais contagiosa deixou o mundo em polvorosa e, de fato, há motivos para se preocupar.

Ainda não se sabe, por exemplo, se uma pessoa infectada pela cepa original poderá adoecer de novo ao ter contato com a variante.

“Quando um vírus está em circulação, ele sofre mutações o tempo inteiro, é a estratégia natural dos seres vivos para sobreviver. É por isso que, enquanto a disseminação do Sars-CoV-2 não for controlada, os cuidados devem ser mantidos para não sermos surpreendidos por uma variante mais letal, por exemplo”, afirma o epidemiologista Bernardo Horta, professor da Universidade Federal de Pelotas.

O epidemiologista Wanderson Nunes, que fez parte da equipe do Ministério da Saúde no início da pandemia, insiste que, até aqui, não há evidências para que as medidas não farmacológicas – como o distanciamento social – sejam abandonadas.

Para Wanderson, os cuidados para evitar o vírus permanecem os mesmos:

“As máscaras continuam sendo um dos principais métodos de barreira, pois a mutação não mudou o tamanho do vírus e o hipoclorito de sódio, água e sabão e álcool em gel seguem sendo os meios mais eficientes para eliminá-lo do ambiente.”


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